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“Estes rapazes merecem ser felizes”

23/01/2026

João Henriques fez a antevisão do jogo frente ao Casa Pia AC com confiança na primeira vitória da equipa. O treinador destacou a forma descomplexada como a equipa trabalha.

O treinador do AFS projetou, esta manhã, o encontro a contar para a 19ª jornada da Liga Portugal Betclic, diante do Casa Pia AC, amanhã às 20h15, no Estádio Municipal de Rio Maior. O técnico da equipa avense mostrou-se otimista no trabalho que tem sido feito nos treinos e enalteceu ainda a atitude e convicção do grupo em conseguir a primeira vitória para o campeonato. Esta é a Conferência de Imprensa prévia ao jogo de João Henriques

AMBIENTE NA EQUIPA: “Eu não sinto pressão extra absolutamente nenhuma, a pressão com que entrei aqui é a mesma com que vamos para cada um dos jogos. Obviamente, nós temos consciência que a cada jornada que passa sem somar pontos, vai encurtando a possibilidade de o fazer mais cedo e amenizar um bocadinho as questões emocionais do grupo. Pela forma como trabalha, nem parece que este grupo está na posição que está. Se executarmos aquilo que durante a semana fizemos, eu acredito muito que nós possamos trazer pontos deste jogo. Isso era bom, especialmente para todos os rapazes que estão aqui desde o início da época, têm sofrido bastante, tem sido muito pesado. Eles acreditam que têm capacidade e que as coisas estão a melhorar de treino para treino, mas depois acaba o jogo e é uma frustração enorme porque é muito tempo sem se conseguir vencer. É isso que nós temos que ultrapassar, porque eles merecem ser felizes e festejar uma vitória porque são uns profissionais espetaculares. Tenho plena convicção de que esta equipa após a primeira vitória vai fazer coisas muito boas.”

ANÁLISE AO ADVERSÁRIO: “É uma equipa que também se esperava que tivesse um campeonato mais tranquilo do que está a ter, porque tem jogadores de qualidade que nós conhecemos bem. Por alguma razão, as coisas também não aconteceram como eles desejariam. Vamos encontrar um Casa Pia com um balão de oxigénio diferente, porque houve uma mudança técnica, natural de qualquer equipa. Vai ser um adversário, obviamente, difícil.”

REFLEXÃO APÓS ÚLTIMO JOGO: “Eu tive que dar os parabéns aos jogadores, especialmente porque na segunda parte, com menos um elemento em campo, fizemos um jogo fantástico. Merecíamos muito mais do que aquilo que tivemos. Aquilo que se fez na segunda parte, não deixando o adversário criar qualquer oportunidade de golo e nós ainda criarmos as nossas oportunidades e estarmos por cima do jogo, acho que isso é demonstrativo do caráter e daquilo que a equipa quer e pode fazer. Obviamente, ficamos com a sensação de que, onze contra onze, teríamos uma oportunidade muito boa de ter ganho este jogo. Fomos equipa e sentimos que merecíamos ter ganho e isso era uma alavanca boa para os próximos desafios.”

ESCLARECIMENTO AOS JOGADORES: “Eu tenho sempre uma forma muito positiva de abordar estas coisas e, sobretudo, sou muito frontal com os jogadores. Acho que é a melhor forma de lidar com as situações para não se criarem falsas expectativas. ‘Nesta posição és tu e tu que jogam para este lugar, quem estiver melhor durante a semana é quem vai a jogo’. Isto torna tudo mais claro, até para eles perceberem ‘ok aquele foi melhor que eu esta semana’. Agora, é sempre uma altura difícil…há sempre incertezas. Mas ninguém tem lugar garantido, é semana a semana. É um contexto pesado, sobretudo para aqueles jogadores que já estavam cá na temporada passada. É muito tempo a ‘levar pancada’. Muitas vezes é responsabilidade deles, e têm de assumir, outras vezes é responsabilidade de um conjunto de pessoas que estão à volta… E desde que eu cheguei já aconteceram algumas coisas, duas expulsões em jogos em casa, com o CD Nacional e agora com o FC Arouca, e isso pesa. Nesses dois jogos a equipa exibiu-se numa forma bastante positiva e não conseguimos levar mais do que um ponto. Isso foi muito penalizador, sobretudo aqui. Com o Moreirense eles foram melhores do que nós durante os 90 minutos. No Dragão fizemos um bom trabalho, mas perdemos o jogo. Mas os jogos com o FC Arouca e o CD Nacional fomos fortemente penalizados com erros individuais, que foram assumidos pelos próprios e está resolvido.”

GESTÃO DA PRESSÃO: “Acima de tudo agarramo-nos ao futebol. Por muito que tentemos arranjar justificações para determinadas coisas, é difícil. Temos de nos agarrar à forma como trabalhamos e à forma como temos vindo a conquistar determinadas situações, de treino para treino, para criar uma equipa, e para a equipa se focar apenas no jogo seguinte. Isso é o principal, o que se fala à volta os treinadores e os jogadores sabem perfeitamente – passam de bestiais a bestas em segundos. Há de ser sempre assim. Os resultados são bons, são todos bons, os resultados são maus, são todos maus. E isto não é verdade. Mas é o que passa sempre na imprensa, redes sociais, adeptos… é normal. Isto é um jogo muito emotivo, em que as pessoas acreditam e olham como forma de sucesso, e quando há um resultado negativo somos gente que não tem competência. Os jogadores têm de estar preparados para isto, senão não são jogadores de futebol profissional e não vão aguentar este tipo de pressão. Olharem para nós como os patinhos feios não vale a pena porque nós vamos fazer coisas muito boas esta época.”

VALORES DOS ATLETAS: “Os jogadores sabem que têm de fazer pela vida até ao final da época, mostrar que têm competência. O valor do atleta e do treinador está ao lado da tabela classificativa. Os de baixo são menos valorizados do que os de cima. Não é o correto, mas é uma realidade. Um jogador que vale um milhão de euros, vale 250 mil euros se ficar em último, mas se ficar a meio da tabela vale quase dois milhões. Os valores são meramente ilustrativos, mas é assim.”

DESAFIOS PARECIDOS: “Já estive em várias situações díspares, mas nunca com uma diferença tão grande para o objetivo. Talvez no Marítimo tenha vivido uma realidade semelhante. No Santa Clara, na minha primeira época, olhavam para nos como patinhos feios e principais candidatos à descida. Foi assim algumas semanas, mas depois vêm os resultados e as coisas vão mudando.”

OBJETIVOS PARA A SEGUNDA PARTE DA ÉPOCA: “As coisas mudam muito. O mercado de janeiro muita muitas coisas em todas as equipas. Nós continuamos confiantes de que vitórias vão parecer, de que vamos fazer bons jogos e ser competitivos. Olhar para o final não vale a pena, porque ia trazer ainda mais pressão. Vamos tentar manter a média de sete pontos em cada cinco jogos. Estamos abaixo disso, mas tentaremos recuperar. Vamos trabalhar sempre bem e procurar pontos em todos os jogos. Tenho uma expectativa muito positiva sobre o que têm sido estas semanas porque acredito que as coisas não acontecem sempre aos mesmos. São ciclos e em termos pessoais também acontecem. Temos sempre momentos bons e maus, temos é de sair depressa dos maus. Pena este durar há tanto tempo, especialmente para quem está cá desde início.”

SENTIMENTO DE CONFIANÇA: “Foi uma semana tremenda de trabalho, eles muito bem, confiantes, a saberem o que têm de fazer. Jogadores participativos, não estão de cabeça baixa nem braços caídos. A capacidade mental deles é muito grande. No final do último jogo disseram logo que neste jogo iriam dar uma alegria a todos nós.”