João Henriques quer um AFS a dignifcar-se a si próprio e à competição, mesmo apesar da descida de divisão. Com muito mais a ganhar do que a perder, o treinador quer uma equipa digna até ao fim e que dispute a vitória com os leões..
O treinador do AFS fez, este sábado, a conferência de imprensa de antevisão ao jogo da 31ª jornada, frente ao Sporting CP. João Henriques sublinha que o AFS continua a ter “um papel importante no campeonato”, uma vez que ainda vai defrontar dois candidatos ao título, e para isso quer uma equipa competitiva e digna até ao final. O valor do Sporting é inatacável, o percurso do rival é meritório, mas os avenses não entrarão derrotados em campo. Não só porque o perfil competitivo da equipa não o permitirá e porque a competição merece ser encarada com seriedade até ao fim, mas também porque, apesar da descida consumada, há objetivos internos para cumprir nos quatro jogos que restam.
DESCIDA DE DIVISÃO: “É um marco que fica. Depois do jogo com o Gil Vicente, apesar de não estar matematicamente decidido, assumimos internamente que seria uma missão praticamente impossível, mas teríamos de ser dignos durante os jogos seguintes. Foi essa resposta que demos perante o Vitória SC e o Rio Ave FC. Temos um papel importante neste campeonato, que é defrontar dois clubes que estão na luta pelo título. Temos responsabilidades, vamos ter de ser a equipa que fomos até hoje: competitiva, digna, mesmo que contra um adversário melhor que nós.
JOGOS ANTERIORES COM O SPORTING: “Estamos conscientes de que o AFS já teve duas situações distintas contra o Sporting: um 6-0, em Alvalade, e um jogo para a Taça de Portugal, em que nos 90 minutos conseguimos um empate. Não nos esquecemos das duas situações. Já tivemos uma derrota e um empate, agora queremos experimentar uma coisa diferente.”
AUSÊNCIA DE PRESSÃO: “A nossa responsabilidade é que, no final do jogo, os dedos que nos apontem sejam apenas paras os jogadores que fizeram boas exibições, que foram competentes, que têm capacidade para poderem estar noutras disputas. Antes do jogo com o Vitória SC, assumimos que não estaríamos presentes na I Liga na próxima época e a equipa deu uma grande resposta. Foi competitiva, foi muito séria. Os jogadores sabem que temos micro-objetivos que queremos cumprir. Sentimos que temos muito mais a ganhar neste jogo do que a perder, ao contrário do Sporting, o que é natural, porque estão a disputar um título e nós neste momento estamos arredados de qualquer tipo de disputa. Vamos ser uma equipa competitiva, séria, perante um adversário que dispensa apresentações.”
LESÕES: “É natural que se fale muito do Sporting, que vem desfalcado, porque tem baixas e jogadores condicionados. Não se fala absolutamente nada do AFS, é normal. Na nossa convocatória vão estar presentes dois guarda-redes e um júnior, porque nos últimos dias perdemos vários jogadores. Em termos de contrariedades, estamos iguais ao Sporting.”
DESCOMPRESSÃO DA EQUIPA: “Valorizar ativos é um dos nossos objetivos, não só do momento, mas da época. Não há descompressão em termos de responsabilidade, mas acabou o momento de disputa de pontos obrigatória para um determinado fim. Agora, queremos a disputa dos pontos por várias razões: temos 13 pontos, queremos superar os 15 da pior equipa de sempre na I Liga. Este é um jogo que tem 3 pontos em disputa e nós vamos à procura de vencer. Temos quatro jogos para o fazer, mas queremos resolver o mais rapidamente possível. Todos os jogos vão ser difíceis até ao final, mas este ainda mais porque estamos perante o melhor ataque do campeonato, uma das oito melhores equipas da Europa e que está na final da Taça de Portugal.”
CANSAÇO DO ADVERSÁRIO: “Estamos tão ou mais desfalcados que o Sporting. E faltar um jogador ao Sporting ou ao AFS tem um peso diferente. Nós não temos uma equipa B a jogar na II Liga, que possa proporcionar jogadores de qualidade a chegar ao plantel quando há estes casos. Uma equipa como o Sporting preparou a época para estar em todas as frentes até o mais tarde possíve. Não vamos ser hipócritas, o cansaço deles é natural. Mas é uma fadiga boa, de estarem a participar nas provas até ao final. Eles vêm frescos até o momento que a fadiga começar a pesar, tanto mental como física. Mas o Sporting não tem desvantagem nenhuma em relação ao AFS, nem o contrário. Sabem o que vêm aqui fazer, querem continuar a lutar pelo título, não querem perder o 2º lugar para o SL Benfica, têm muita responsabilidade. Com toda a certeza, a fadiga não se vai evidenciar em largos minutos do jogo. Não temos o calendário igual, mas também não temos os mesmos argumentos do adversário.”
SITUAÇÃO PESSOAL DE JOÃO HENRIQUES: “Quando vim para o AFS, vim numa missão que não era fácil e sabia disso. Estava completamente consciente das várias possibilidade e nesta altura sinto-me realizado em parte, porque consegui transformar uma equipa que não era competitiva naquele momento, que não conseguia vencer jogos, para uma equipa que nos últimos setes jogos perdeu apenas dois. Também não os vencemos, é verdade, mas somos competitivos ao ponto de disputar todos os jogos. Neste período que aqui estive, senti que tivemos três jogos menos conseguidos, em que o adversário ganhou bem. Todos os outros disputamos de forma séria, digna e competitiva. Para mim isso é uma vitória, fazer com que estes jogadores se sintam novamente importantes, que têm capacidade. E poder ajudar a valorizá-los. Uma descida é uma descida, faço parte dela, mas estou consciente do que foi o meu trabalho aqui. Relativamente ao futuro, é muito precoce estar a falar disso, estamos só a olhar para estes jogos que são importantes para o AFS. A descida matemática foi há uma semana, houve pouco tempo para refletir sobre aquilo que vai ser o futuro. Deixamos isso para depois, o importante é o jogo de amanhã. Vamos ser sérios, competitivos e dignos, porque temos de respeitar uma competição, os adversários, dignificar a vila, os adeptos, o clube e acima de tudo as famílias dos jogadores, que este ano sofreram muito. Estes jogadores não são tão maus como a tabela classificativa mostra, são iguais a tantos outros que estão na I Liga, com capacidade para disputar outro tipo de classificação.”
REGRESSO À I LIGA: “O comunicado do clube foi muito claro nisso. A administração quer um regresso em breve da equipa à I Liga e agora é começar a preparar todos os processos de reformulação. É uma questão para o diretor geral e para o presidente. Nesta altura, o meu foco é o dia a dia, os jogos que temos até ao final da época”